quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

07/02

Nas tramas mais sutis do pensamento
O bêbado cenário me repele
E quando toca; manso, a minha pele,
O todo noutro engodo mesmo invento.

Meu prazo se moldara desatento
Enquanto o meu destino o tempo sele,
Nem mesmo a fantasia me revele
O quanto poderia em raro alento.

Porém cada verdade se omitindo
O tempo que julgara quase infindo
Morrendo lentamente em todo engano,

E quando me anuncias o final,
O termo se moldando irracional
Transforma qualquer sonho em mero dano.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

06/02

Num êxtase supremo, a vida traz
O tanto sem saber quanto valesse
Ainda que deveras se esquecesse
Do tempo que vivera em plena paz.

Sabendo na verdade somente esse
Que o vento noutro instante já desfaz
O rastro quando deixas; tão mordaz
No fundo novo encanto merecesse.

Por mais que com ternura o bem nos una,
O mar ao invadir frágil laguna
Permite uma lacuna no horizonte.

E assim ao desfraldar esta ilusão,
Trafego simplesmente em contramão
E o todo que inda venha desaponte.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

05/02

Tentando nos sermões, vagas partilhas
Viver outra verdade em tal premissa
Não quero esta palavra, vã e omissa
Nem mesmo devastar velhas mobílias.

Se em meu jardim houvesse ainda tílias
Ou mesmo a solução nobre ou castiça
Enquanto a liberdade se cobiça,
No cancro resumindo tais famílias.

Adias os teus sonhos, mato os meus
E sei do fato infausto que inda venha
Marcar o quanto possa em vaga ordenha

A sensação dorida deste adeus,
Não quero ou não tentasse de tal forma
Somente o quanto turve e nos deforma.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

04/02

Minha alma que em tua alma revestia
O centro das diversas expressões
Enquanto noutro rumo tu te expões
Eu busco finalmente uma alegria.

A lúdica esperança em poesia,
Os versos espalhados nos porões
E os tempos entre tantas dimensões
A noite invadiria o próprio dia,

O tanto que se fez após, hedônico,
O rústico cenário desarmônico
E o fim da nossa luta em face sórdida.

Mas quando se anuncia a noite mórbida
A face que se vê agora cética
Traduz a virulência quase séptica.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

03/02

Nesta alma que pensara calma e pura,
A sórdida expressão da falsa luz
Que ao mesmo tempo enquanto nos seduz
Espúria sensação tanto tortura.

Nos olhos a temível amargura
O peso em minhas costas, velha cruz
E o prazo que deveras não conduz
Sequer ao quanto tento e não perdura.

O cântico adentrando pelo quarto,
O sonho que deveras mal comparto
A farpa quando a luta nos lacera,

Dos velhos palacetes de um passado,
Ainda que se fez temido e ousado,
Apenas novo rumo traça a fera.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

02/02

A sorte se mostrando e sempre em cada
Momento tão diverso; já desnuda
A face muitas vezes nos ajuda
E segue sem sentido a velha estrada,

No quanto a sensação não traz o nada
E o tempo noutro fato sempre acuda
Quem sente a mesma dor imensa e aguda
Da frágil emoção que nos invada.

Reparo cada engano e sigo após
Tentar acreditar no quanto em nós
Ainda poderia persistir.

E simplesmente tramo outro tormento
Nos ermos de um mais vago pensamento
Tramando o quanto venha a redimir.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

01/02

A cada novo passo, outro degrau
Exímio sonhador pudesse crer
No quanto a sorte dita amanhecer
E gera outro caminho sem igual.

O tempo se anuncia e bem ou mal
O mundo poderia dar prazer
E sem o meu anseio a se tecer
Atento desejar consensual

Não tendo outra vertente, sigo só
E faço da esperança imensa mó
Que tanto nos destroça, simplesmente

O vento em discordância, o verso rude,
Amar e crer além do quanto eu pude
Vencendo a dor que agora a vida sente.