segunda-feira, 21 de maio de 2018

21/05


Destroem sem saber o quanto existe
No olhar de quem deseja muito além
Do quanto na verdade a vida tem
E sei que se prossigo, vou mais triste,

O passo que inseguro já persiste,
A vida sem saber de mais ninguém
Cenário se desenha com desdém
E o canto sem sentido não resiste,

Moldasse pelo menos um alento
E busco com ternura e sei que tento
Vencer os dissabores costumeiros,

Alheio ao quanto resta dentro em mim,
Bebendo da verdade que há em mim,
Os olhos se perdendo em vãos canteiros.

domingo, 20 de maio de 2018

20/05

Depois dessa loucura o que viria
Senão a mesma morte repetida
E o tempo com certeza dilapida
Matando desde sempre a fantasia,

A luta com certeza não teria
Sequer uma razão, pois já perdida,
A traça diz da sorte corroída
Das garras da pantera outra ferida.

Assim apenas vejo o meu passado
Em dores e tormentos, qual agora
Enquanto no vazio desancora

Meu barco há tanto tempo destroçado,
O caos tomando conta do meu ser,
A cada novo instante apodrecer.

sábado, 19 de maio de 2018

19/05

Que a casa foi criada por quem ama
E traz no olhar certeza de um momento
Aonde se entregando mesmo ao vento
Jamais se apagaria a velha chama,

Porém o mundo traça em medo e drama
Vivendo o mais completo desalento
E quando alguma luz ainda eu tento,
O todo no vazio diz da lama.

Resumos de uma vida sem proveito
Sozinho e sem futuro enfim me deito
Olhando para as sombras do que fui,

E vendo este cenário decomposto,
As lágrimas dominam cada rosto
Castelo feito em glória agora rui.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Os seres que Deus fez agora mortos
Os dias entre enganos tão somente
E quanto mais o sonho se apresente
Só vejo mais distantes os meus portos,

Há tanto que buscara pelo menos
Viver com mais tranquila liberdade,
Aos poucos tal cenário eu sinto evade
Deixando para trás dias amenos,

Vencer os meus temores e seguir
Depois de cada engano, e crer na paz,
Ainda quando seja mais mordaz,
O tempo com certeza no porvir

Trazendo estes cadáveres dos sonhos,
Andrajos, párias seres vãos medonhos.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

17/05

Percebo tal loucura em compulsão
E vejo atrás dos óculos o quanto
A vida se mostrara em desencanto
E os dias pouco a pouco matarão,

Cerzindo este momento sempre em vão,
Ainda quando muito não garanto
Sequer o que pudesse já sem pranto
Tramar após a queda em torpe chão.

Negar o que teria ou mesmo busco,
Cenário desenhado em lusco fusco
Mergulho nos vazios e me entrego,

Sem nada que pudesse inda trazer
Somente no final o desprazer
E o mundo se desenha em tal nó cego.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

16/05


Matando com a gula de quem tenta
Sangrar até o fim a sua caça,
Uma esperança aquém já se esfumaça
Em meio ao quanto pode uma tormenta,

E nada na verdade mais contenta
Deixando a mera vida agora escassa
E o tempo se desdenha enquanto passa
Na face mais atroz dura e sangrenta.

Não pude e não teria outro momento,
Mujique do presente em desalento
Na servidão que sempre me acompanha,

Cativo nas masmorras deste mundo,
Enquanto em ledas furnas me aprofundo,
Abutres brindam mortos com champanha.

terça-feira, 15 de maio de 2018

15 05


Crucifica a natura a cada dia
Deixando para trás o que restara
A vida sem sentido e mais amara,
A cada novo tempo não teria,

Sequer algum sentido em alegria,
E vejo o desenhar nesta seara
Na sensação dorida que prepara
O tempo já em dor sem fantasia.

Vivendo cada instante após o qual
Pudesse desejar em ritual
Um novo amanhecer em liberdade,

Nos ermos das florestas devastadas
As árvores há tanto, destroçadas
Apenas o deserto agora invade.