quarta-feira, 24 de maio de 2017

24/05

Jamais vejo o quanto quero
E se quero nada peço
Outro tempo mais sincero
Na verdade recomeço
Já sabendo do que espero
Ou se possa não mais meço
O que veja em tom sincero
Navegando onde tropeço.
Lavo os olhos em teus sonhos
E mergulho nos teus mares,
Mas os dias mais medonhos
Que deveras provocares
No final serão bisonhos
Quanto são os vãos sonhares.

terça-feira, 23 de maio de 2017

23/05


Lagos entre afagos vejo
E se possa ser assim
No final nada verdejo
Quando bebo o teu jardim
Desarmado num ensejo
Dentro da alma quando vim
Encontrara este desejo
Que matasse ou fosse assim.
Nada mais pudera quem
Na incerteza recriara
A palavra quando vem
No final nada repara
Ratazana que em desdém
Extorquisse esta seara.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

22/05

Quem se fez outra pessoa
Ou Pessoa já queria
Imagino o que revoa
Nas tramas da poesia
Mergulhando enquanto ecoa
E se vai quando esvazia
Na palavra segue à toa
Quando à tona então se via.
Ouso ter noutro querer
O que pude num repouso
Desejar diverso ser
Ou quem sabe noutro pouso
Mesmo assim o que é prazer,
Com certeza enfim eu ouso.

domingo, 21 de maio de 2017

21/05

No boteco outra cachaça
E na praça o repeteco
Do que pude e não se faça
Nem produza qualquer eco,
O meu mundo quando passa
Na verdade sempre o seco
Aprofundo na chalaça
E decerto sempre peco.
Ouso além do que podia
E teria noutro infausto,
O meu mundo em agonia
És Mefisto, queres Fausto,
Mas o tempo dia a dia
Não traduza outro holocausto.

sábado, 20 de maio de 2017

20/05

Labaredas de uma vida
Já deveras desolada
Outra sorte corroída
Na esperança degradada,
O que tento e não duvida
Que percorra a velha estrada
Noutra farsa presumida
Expressasse o quase nada.
O meu mundo não revela
O que a sorte não mais traz
Acendendo a velha vela
O meu passo mais mordaz
No final a vida atrela
E pudesse enfim a paz.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

19/05

Rudimento ou mesmo além
Do que possa e não tivera
A mortalha quando vem
Com certeza desespera,
Mas no fim “stá tudo bem
Solidão sendo sincera
Traduzisse o que também
Desta vida a vida espera.
Já mergulho em teu encalço
E se possa no porão
Encontrar o cadafalso
Ou fazer do coração
Um cenário bem mais falso,
Mas causa boa impressão.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

18/05

O pecado mora ao lado,
No final tudo está certo,
O caminho desolado,
O meu peito descoberto,
Quanto mais de ti me evado
Mais deveras eu me alerto
Presumindo cada enfado
No que tento ou já deserto.
Rudimentos de uma vida
Tanto quanto se traçasse
A palavra não se olvida
Nem tampouco se expressasse
No cuidar de uma ferida
É que se vê a própria face.