sábado, 16 de dezembro de 2017

16/12

Queria mais que o tempo me trouxera
A vida nos permite uma ilusão
E mesmo contra a vaga dimensão
O sonho se desenha além da fera
A sorte que pudesse ser sincera
O medo não deixando o dia em vão
Meus olhos noutro ponto fixarão
E toda a fantasia que se espera.
Porém quando a verdade já se expõe
Mostrando o descaminho que a compõe
Não resta quase nada do passado,
Meu tempo se desenha em tal temor
E nada do que possa um grande amor
Deixando este cenário desolado.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

15/12

A sorte rapineira não permite
Que tanta fantasia sobreviva,
Palavra quando pode, mais ativa
A dor ultrapassando algum limite,
Quem deva caminhar já não evite
A queda mesmo quando esta alma altiva
Procura uma saída e mesmo viva
Ao menos o que resta e delimite.
O verso mais audaz, a noite escura,
O tanto da esperança se procura
E nada mais vislumbro neste enredo
E vejo o quanto é rude o meu caminho
Por vezes num cenário mais mesquinho
Apenas o que tento e mal concedo.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

14/12

Nem mesmo que destrua ancoradouro,
A sorte não presume o que se estende
E tanto quanto possa não depende
Do que vivesse em paz, raro tesouro,
Apenas no vazio se me douro
Encontro o quanto a vida não compreende
E sei deste momento e não desvende
A sorte desde novo nascedouro,
Restauro cada instante e sei após
O tanto que mergulho em leda foz
Ousando acreditar num bem supremo
Jamais eu tentaria nova sorte
Ainda quando a vida me conforte
Sozinho todo o vento agora temo.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

13/12


O barco; jamais quero que se trame
Na mais distante sorte, desde quando
O tempo fora aos poucos desenhando
O tanto que renegue algum ditame,
Vagasse sem saber do ledo enxame
Do canto noutro encanto anunciando
O dia mais amargo e mais infando
Restando o quanto esta alma ora reclame,
Versando sobre o muito que pudera
Apenas noutra face mais sincera
Expresso a solidão que resta em mim,
E todo este momento denuncia
A falta do que fosse fantasia
E a morte se aproxima, em ledo fim.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

12/12


Contigo caminhando sem destino
Tramando qualquer sonho mais diverso
E quando na verdade me disperso
Ao mesmo tempo tento e mal domino
O tanto que desejo e me alucino
Ousando na esperança de algum verso
E quando me aproximo, desconverso
Sabendo do que possa em desatino,
Cabendo dentro da alma esta esperança
A voz já no vazio ora se lança
E trama o que pudera ser além
Do pouco quando resta uma lembrança
Da vida que tentara em confiança
E sei quando em verdade nada vem.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

11/12



O todo não se prende num detalhe
Apenas o que possa acreditar
O tanto quanto bebo do luar
Ainda que deveras longe espalhe
O rumo sem saber qualquer entalhe
O tempo noutro encanto a se moldar
A vida se presume num vagar
E sei que embora venha sempre falhe.
Acesa esta esperança, um raro lume
Marcando cada passo que presume
A rara liberdade mais distante
O tempo tantas vezes não garante
Sequer algum alento ou mesmo até
O quanto poderia e não viera
Ousando acreditar na primavera
E nisto resumindo a minha fé.

domingo, 10 de dezembro de 2017

10/12


Roubando o quanto o sonho trouxe em vão
Marcando com terror o dia a dia
A sorte com certeza não traria
Sequer o que buscara em solução
O prazo determina desde então
A luta se mostrando hipocrisia
O verso nesta tarde mais sombria
Expressa o quanto resta em solidão
Navego por momentos que não tive
Caminho onde deveras nunca estive
E sei que meu final já se aproxima
A face deturpada da esperança
Aos poucos no vazio ora me lança
E trama a insensatez de um rude clima.